Métricas que classificam recebíveis conforme o número de dias em atraso, conhecidas no mercado como indicadores over, segundo a ID CTVM, funcionam como termômetro contínuo da qualidade de crédito de uma carteira de recebíveis
O acompanhamento da qualidade de crédito de uma carteira de recebíveis que compõem um fundo de investimento em direitos creditórios depende de indicadores padronizados, capazes de traduzir em números objetivos o comportamento de pagamento dos devedores ao longo do tempo. Entre esses indicadores, os mais utilizados pelo mercado de crédito estruturado são conhecidos como métricas over, que classificam o volume de recebíveis em atraso conforme o número de dias transcorridos desde o vencimento não honrado, como o indicador over 30, que mede a proporção da carteira com mais de trinta dias de atraso, ou o over 90, que mede essa mesma proporção considerando um atraso superior a noventa dias.
Esses indicadores, calculados de forma contínua pelo administrador fiduciário com base nos dados de pagamento de cada recebível que compõe a carteira, funcionam como um termômetro objetivo da qualidade de crédito de um fundo, permitindo que gestores, administradores e investidores acompanhem a evolução da inadimplência ao longo do tempo, comparando o comportamento atual da carteira com seu próprio histórico e com parâmetros de referência estabelecidos no regulamento de cada operação.
Tendência do indicador importa tanto quanto seu valor absoluto
A análise desses indicadores de inadimplência não se limita à leitura isolada de seu valor em determinado momento, mas envolve também o acompanhamento de sua tendência ao longo de sucessivos períodos, uma vez que um indicador over 30 estável, ainda que relativamente elevado, pode ser menos preocupante do que um indicador em trajetória de crescimento acelerado, mesmo que ainda em patamar numericamente inferior. Essa análise de tendência permite antecipar potenciais problemas na carteira antes que eles se traduzam em indicadores mais graves, como o próprio over 90.
Para Lidiane dos Santos, diretora da ID CTVM, compreender essa dinâmica de tendência é essencial para uma gestão de risco eficaz em fundos de recebíveis.
“Um indicador de inadimplência isolado conta apenas parte da história. O que realmente importa para a gestão de risco é observar a trajetória desse indicador ao longo do tempo e compará-la com o histórico da própria carteira, além de segmentar essa análise por diferentes características dos recebíveis, como prazo de vencimento e perfil do devedor. Um administrador fiduciário atento identifica sinais de deterioração muito antes de esses sinais se traduzirem em números que preocupem o mercado de forma mais ampla”, explica a executiva.
A ID CTVM atua como administradora fiduciária de fundos estruturados, calculando de forma contínua os indicadores de inadimplência de cada carteira sob sua administração e reportando essa informação de maneira transparente e tempestiva aos gestores e cotistas de cada operação.
Relação direta com a constituição de provisões para perdas esperadas
Os indicadores de inadimplência calculados para uma carteira de recebíveis alimentam diretamente os modelos utilizados para a constituição de provisões para perdas esperadas, mecanismo contábil que reconhece antecipadamente o risco de que parte dos recebíveis em atraso não seja efetivamente recuperada. Fundos que utilizam metodologias robustas de provisionamento, baseadas em séries históricas consistentes desses indicadores, tendem a apresentar demonstrações financeiras mais fiéis à realidade econômica de sua carteira do que estruturas que adotam critérios de provisionamento menos rigorosos.
Essa relação entre indicadores de inadimplência e política de provisionamento também influencia diretamente o cálculo do valor da cota de um fundo, o que reforça a importância de metodologias consistentes e transparentes na apuração desses números ao longo de toda a vida de uma operação estruturada.
Segmentação por safra de originação refina a análise de qualidade
Uma prática cada vez mais adotada por gestores e administradores fiduciários consiste em segmentar os indicadores de inadimplência por safra de originação, agrupando recebíveis conforme o período em que foram incorporados à carteira do fundo, o que permite comparar o comportamento de pagamento de diferentes grupos de ativos originados em momentos distintos. Essa segmentação por safra ajuda a identificar se uma eventual deterioração nos indicadores de inadimplência está relacionada a mudanças nos critérios de originação adotados em determinado período, ou se reflete um fenômeno mais amplo que afeta toda a carteira, independentemente da data de incorporação de cada recebível.
Essa análise mais granular, que vai além dos indicadores agregados tradicionalmente divulgados aos cotistas, tem se tornado uma ferramenta valiosa para gestores que buscam ajustar seus critérios de elegibilidade de forma ágil, corrigindo eventuais desvios na qualidade de originação antes que eles comprometam de forma mais ampla o desempenho geral da carteira de um fundo estruturado.
Perspectivas para o monitoramento de inadimplência em FIDCs
Com a indústria de FIDCs brasileira ampliando sua sofisticação técnica e atraindo investidores institucionais cada vez mais exigentes, a tendência é que o acompanhamento rigoroso de indicadores de inadimplência siga como um pilar central da gestão de risco em fundos de recebíveis. Para administradores fiduciários especializados, a capacidade de antecipar tendências relevantes nesses indicadores deve continuar sendo um diferencial técnico importante para sustentar a confiança de investidores na indústria de crédito estruturado.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

