Como comenta o CEO da Vert Analytics, empresa referência nacional em soluções analíticas e inteligência artificial aplicadas à gestão pública e corporativa, Andre de Barros Faria, em um cenário corporativo cada vez mais orientado por tecnologia, muitas organizações acreditam que ferramentas de analytics avançado são suficientes para garantir decisões estratégicas mais assertivas. No entanto, mesmo com dashboards sofisticados e relatórios em tempo real, há uma parcela significativa de informações que permanece invisível. Este artigo explora por que o excesso de dados não necessariamente significa clareza, quais fatores impedem empresas de enxergar o que realmente importa e como a inteligência analítica pode evoluir para além de indicadores superficiais.
Por que dados abundantes nem sempre geram decisões melhores?
Segundo Andre de Barros Faria, a disponibilidade massiva de informações cria a impressão de controle total sobre o negócio. Indicadores de desempenho, métricas operacionais e análises preditivas parecem oferecer respostas imediatas para desafios complexos. Porém, o excesso de dados pode levar a um fenômeno silencioso: a incapacidade de identificar o que realmente é relevante. Nesse contexto, a clareza estratégica torna-se mais importante do que a quantidade de dashboards disponíveis, pois a abundância informacional nem sempre significa compreensão real do cenário.
Quando empresas concentram esforços apenas na coleta de dados, sem uma estratégia clara de interpretação, os relatórios se tornam extensos e pouco objetivos. Equipes passam mais tempo analisando números do que compreendendo o contexto por trás deles. Esse cenário gera decisões baseadas em tendências aparentes, mas que ignoram fatores qualitativos essenciais. Além disso, a ausência de critérios de priorização faz com que informações críticas se percam em meio a análises superficiais, dificultando respostas rápidas e assertivas.
Outro problema surge quando os indicadores são definidos apenas por critérios técnicos. Métricas que medem eficiência operacional nem sempre refletem a experiência real do cliente ou os impactos estratégicos de longo prazo. Assim, mesmo com analytics avançado, as organizações continuam deixando de enxergar oportunidades importantes. A construção de indicadores mais humanos e alinhados aos objetivos do negócio passa a ser fundamental para transformar dados em decisões que realmente gerem valor sustentável.

O que fica invisível mesmo com ferramentas sofisticadas?
De acordo com Andre de Barros Faria, com experiência em negócios, estratégia e inovação, a inteligência analítica costuma priorizar dados estruturados, mas grande parte do conhecimento organizacional está dispersa em documentos, conversas internas e processos informais. Informações não estruturadas, como feedbacks qualitativos ou histórico de decisões, raramente aparecem em relatórios tradicionais, criando lacunas na análise estratégica.
Além disso, sistemas desconectados dificultam a criação de uma visão integrada do negócio. Departamentos diferentes podem trabalhar com métricas próprias, gerando interpretações divergentes sobre o desempenho da empresa. Essa fragmentação faz com que dados relevantes permaneçam isolados, mesmo quando há tecnologia suficiente para analisá-los.
Como a cultura corporativa influencia o silêncio dos dados?
A forma como uma empresa valoriza a informação determina o impacto real das soluções analíticas. Organizações que utilizam dados apenas para validar decisões já tomadas acabam ignorando sinais importantes de mudança. Nesse contexto, o analytics deixa de ser instrumento de descoberta e passa a atuar apenas como justificativa para estratégias pré-definidas.
Outro aspecto relevante, conforme Andre de Barros Faria, é a resistência a questionar indicadores consolidados. Métricas tradicionais podem permanecer inalteradas por anos, mesmo quando deixam de refletir a realidade do mercado. Essa dependência de padrões antigos impede que novas perspectivas sejam exploradas, limitando o potencial transformador da análise de dados. Revisar periodicamente os critérios de mensuração torna-se essencial para garantir que os indicadores acompanhem a evolução estratégica e não se transformem em barreiras invisíveis à inovação.
A cultura organizacional também influencia a transparência na circulação das informações. Ambientes onde dados são restritos a poucos setores dificultam a colaboração entre equipes. Quando profissionais não têm acesso a insights relevantes, a inteligência analítica perde força e se torna incapaz de orientar decisões coletivas. A democratização do conhecimento, aliada a políticas claras de governança, contribui para que a análise de dados deixe de ser um recurso isolado e passe a impulsionar uma visão mais integrada do negócio.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

